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Bel Mattos
Artista visual, pesquisadora e educadora
Minha prática investiga o corpo como território político, espiritual e ecológico. A partir de uma perspectiva autobiográfica, relaciono gênero, sexualidade e memória para tensionar as formas de inscrição e controle do feminino na cultura e seus atravessamentos sociais e ambientais. Utilizo meu corpo, mestiço e biográfico, como suporte e linguagem e, por vezes, meu sangue como substância pictórica, instaurando uma materialidade simultaneamente íntima e coletiva.
Transito entre arte têxtil, fotografia, pintura, escultura, instalação e performance, criando campos poéticos onde cruzo intimidade e política, matéria e rito, corpo e paisagem.
Entre fibras, pigmentos vegetais e minerais, cerâmica e elementos naturais, aciono saberes ancestrais e processos lentos que convocam uma escuta da terra, não como recurso, mas como organismo vivo e vulnerável. Minha produção é atravessada por ritos de passagem e articula ecofeminismo e corpo-território como prática de resistência, cuidado e reexistência.
Essa pesquisa é profundamente atravessada pelas experiências e pelos trabalhos que desenvolvo junto a mulheres no campo da saúde mental, sexual e reprodutiva. O convívio e os aprendizados com parteiras tradicionais e abuelas da Abya Yala expandem minha prática para além do ateliê, incorporando saberes transmitidos pela oralidade, pelo gesto e pela escuta. Entre nascer, parir e morrer, minha produção se constitui como espaço de travessia e rito, afirmando o corpo como lugar de saber, onde a matéria guarda memória e o gesto se torna permanência.
